Privé Porter rumo ao Metaverso

Uma série de novos registros no Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos marcam os primeiros passos da “Privé Porter”, marca de revenda de produtos de luxo, rumo ao metaverso. Além de lançar a coleção de bolsas e relógios mais difíceis de encontrar no mercado, a revendedora pretende estar à frente da concorrência e até mesmo dos maiores players do mundo de leilões no espaço virtual.

Com a dificuldade de encontrar relógios como os Rolex Daytonas ou as bolsas Hermès mais cobiçadas (Birkin e Kelly, com custo acima de US$ 12 mil), os consumidores devem intensificar a procura pela Privé Porter, tornando-a pioneira em oferecer bens de luxo mais admirados num menor prazo de tempo.

 

Registros de marca solicitados

  • Bolsa de grife, com arquivo de imagem para download que serve como título e token NFT e relógio de designer certificado – Classe 9
  • Serviços de varejo on-line com produtos virtuais, bolsas e relógios de grife para uso no mundo virtual e serviços on-line para compradores e vendedores de bolsas e relógios de grife digitais para download – Leilão de NFTs (Classe 35)

Com base nas solicitações, fica claro que a Privé Porter pretende leiloar os ativos no Metaverso, concorrendo com Christie´s e Sotheby´s, que já adotaram a plataforma para ativos digitais. A Sotheby´s, por exemplo, lançou uma réplica de sua sede em Londres na plataforma de realidade virtual Decentral, hospedada no Ethereum, com posto avançado funcionando apenas como uma galeria, mas não casa de leilões.

No Metaverso, a Privé Porter pode construir um negócio bastante sólido e com boa vantagem perante os concorrentes, mesmo levando em conta que se trata de uma plataforma em fase inicial. Em 2013, utilizou o Instagram como plataforma de varejo e atingiu cerca de 100 milhões de seguidores, com vendas de US$ 20 milhões.

 

Preocupação com marcas registradas

No formulário de registro de marcas, não foram incluídas as imagens de uma bolsa Birkin, do relógio Daytona ou qualquer outro objeto famoso. Foram inseridas fotos dos produtos utilizando um único logotipo: uma chave Privé Porter estilizada para cada item. Dessa forma, a revendedora se protege contra processos de violação de marca registrada, o que tem sido bastante comum atualmente.

Outra possibilidade é que a utilização do próprio logo no registro pode significar que a marca se prepare para vender sua própria coleção de bens de luxo, sósias virtuais dos NFTs para uso específico nas plataformas.

Independente da intenção, a iniciativa de levar ofertas de luxo para o Metaverso faz todo o sentido, uma vez que uma boa parte dos clientes investem grandes somas no espaço criptográfico e procuram adquirir ativos virtuais para descarregar seus ganhos baseados em Ether.

 

A Privé Porter

Fundada em 2008, a empresa, que já vendeu bolsas Birkin por até US$ 500 mil, conta com celebridades como Kris Jenner, Paris Hilton e Cardi B entre seus clientes famosos. A Privé Porter passa por um processo de expansão de novas lojas físicas, que coincide com o crescimento do mercado de revenda, com empresas como The RealReal, em parceria com marcas como Gucci, Burberry e Stella McCartney, e marcas como Levi´s e Tommy Hilfiger lançando suas próprias iniciativas internas de revenda.

Bichara e Motta Advogados possui vasta experiência nas áreas que envolvem marcas de luxo e tecnologia.